07 julho 2009

Garapa (2009)





O nordeste é mitigado por seca, pobreza e miséria. O cinema sempre retrata essa realidade de vários modos.
Sou do interior do Nordeste e realmente existe está situação, porém não é apenas isso que temos aqui. Infelizmente existem os extremos.

Mas voltando a idéia do texto existem pessoas que focam o lado pobre do nordeste e denigrem essa imagem. Isso não acontece com Garapa (2009) de José Padilha (Tropa de Elite) que é mais uma denúncia do que uma forma de ganhar às custas da pobreza.

Conhecido por sua luta contra a fome no sertão nordestino, o médico e professor Josué de Castro assine a epígrafe do documentário Garapa. Diz o médico que no Brasil é possível morrer de fome de dois jeitos: não comer nada ou comer mal e sofrer aos poucos com carências nutricionais. Isso mostra exatamente os extremos do Brasil.

Porém as famílias de Fortaleza e do interior do Ceará, nos arredores de Choró, cujas rotinas Padilha documenta em seu filme, se encaixam no segundo caso. Muitas vezes, sua dieta se restringe à bebida do título, o melado fervido, já que um saco de açúcar é o que compensa comprar, segundo um entrevistado, depois de um dia de trabalho rural ocasional na região.

Sem rodeio, a câmera operada por Marcela Bourseau nos apresenta a esse drama a partir do ponto mais crítico: os corpos das crianças. Nus, magros mas barrigudos, andam de um lado para o outro e rolam no chão enquanto a equipe os filma, às vezes, dos pés à cabeça em um plano só, como se os medisse. Os pais visivelmente tentam ordenar a casa para "receber a visita" (e sentam os filhos no chão sobre camisetas para almoçar), mas não demora a vermos que a insalubridade é um dos fatores da miséria por ali.

Fatores não faltam, ademais. O alcoolismo, o descontrole de natalidade e o desemprego vão se amontoando entre dilemas que Padilha levanta seja pela imagem (ao contrapor dois homens de famílias diferentes em situação similar, um sóbrio e outro bêbado, por exemplo), seja pela palavra mesmo, questionando as mães sobre planos de maternidade. É problema demais para um filme só, e isso cria uma sensação de fatalismo cada vez maior, mas para falar da fome Garapa não tem mesmo como fugir desses fatores todos.

Se o teor temático é mais ou menos esperado, o que deve chamar mais atenção - e provocar discussões - em Garapa é a opção pela "estética Sebastião Salgado" de fotografar a pobreza em claro-escuro. Há momentos de evidente procura por uma poesia visual, como a chuva que cai sobre o varal de roupa construído com arame farpado, ou o achado que é uma menina loira de vestido todo branco contrastando com o pai desdentado que trança as pernas e "estraga" o enquadramento.

Dizem que para uma pessoa acordar para a realidade, ela têm-se que viver aquela verdade. Você assistindo Garapa vai se sentir naquela realidade. É chocante porém necessário.

06 julho 2009

Sonic perdido no Mario World

Dois grandes clássicos dos games agora juntos em um só. O jogo traz o Sonic (desenvolvido pela SEGA) no mundo do Mario (desenvolvido pela nintendo). O resto é conferir jogando. Grandes surpresas, altas emoções, DIVIRTA-SE.




28 junho 2009

Projeta o ombrinho, balança a cabeça...

Michael Jackson morreu mas ele deixou uma herança para sempre na música, dança, moda, clipes e tudo que envolva arte e comportamento. Porém além de toda essa herança cultura o Michael influênciou as pessoas. A prova disso é o cantor Indicano GOLIMAR, ele tem tudo para continuar o sucesso do astro.

Veja o trailer da música de Golimar:





É claro que é brincadeira. Michael Jackson é insubstituível, passei uns dias sem postar no blog porque não encontrava as palavras para descrever o quanto admiro o trabalho de Michael e o quanto o rei do pop contribuiu para a arte. Acho que o bom humor é uma boa forma de homenagea-lo! MICHAEEEEL, TAMO JUNTOO!!

Fluxograma Créu no Alojamento





Via: Sedentario&Hiperativo

24 junho 2009

Meme's: Lemnicasta e nota 10

Meme's é uma forma dos blogueiros se homenagearem e divulgarem seus blogs através de uma corrente na blogosfera.

A bloguete que me indicou aos meme's foi Natyh do BLOG ACULTURADO, agradeço a ela por ter lembrado do nosso blog. Visitem o blog aculturado, possui ótimos textos e um ótimo conteúdo.

O primeiro selo é do Prêmio Lemniscata, que pede para os indicados respoderem a seguinte pergunta:

- O que é ser um Homo Sapiens?

Minha resposta: É saber que Theo Becker também é da nossa especie! CAZUZAAA! TAMOO JUNTOO!!





O segundo selo é do "Minha nota é 10 pra você!". E este possui alguns passos que os indicados devem seguir:





1 – Escrever uma lista com 8 características suas;

- Moro em Condado - PB.
- Estudo Sistemas de Informação (Já terminando Monografia)
- Cinéfilo inveterado.
- Pratico esportes, porém ultimamente só tenho tempo para a musculação.
- Muito ligado a cultura nerd, geek!
- Sou muito perfeccionista.
- Me irrito facilmente com desonestidade e falta de caratér!
- To aprendendo a tocar violão (Há algum tempo já, mas eu chego lá).

2 – Convidar 8 blogueiros para receber o selo (são indicados também para o Prêmio Lemniscata):

3 – Comentar no blog de quem lhe premiou;
4 – Comentar no blog de nossos escolhidos, para que saibam da “indicação”.

Bom é isso então! Assim como a bloguete Natyh que me indicou, gostaria de deixar claro que quem não quiser responder ou não gosta de meme's, realmente não precisa. Desculpe se incomodei alguém com isso. Qualquer coisa é só me avisar.
Enfim, garanto a todos que os blogs que indiquei com certeza valem o clique. Visitem pois não irão se arrepender :)

22 junho 2009

A Infância de Ídolos do Rock

Como encontrei um vasto material, vou tentar dividir em algumas seções para expôr essas fotos de grandes ícones do rock ainda em sua infância ou adolescência.


AEROSMITH

Steven Tyler


Brad Wilford





ACDC

Bon Scott




BEATLES

George Harrison


John Lennon


Paul McCartney




BON JOVI

Jon Bon jovi




DAVID BOWIE

David Bowie



BLACK SABBATH

Ozzy Osbourne


Ozzy Osbourne




TO BE CONTINUED...


Fonte : whiplash

Os mitos que podem te matar - Parte 3

A terceira e última parte dos "Mitos que podem te matar". Um oferecinemnto Hypescience e Neil Strauss! =D


3. Mito: Se esfaqueado ou empalado por algo, remova o objeto imediatamente.

Realidade: Deixe o objeto, ligue para a polícia e evite que o objeto se mova, o máximo possível. A não ser que o objeto esteja bloqueando as vias respiratórias.






2. Mito: Para sobreviver no tempo frio, é possível comer neve ou gelo.

Realidade: Comer grande quantidade de neve vai baixar a temperatura corporal, vai gastar energia e pode estar contaminada. Além de poder congelar o esôfago e o estômago. Uma solução seria derreter a neve, ferver, esperar esfriar e então beber.






1. Mito: Orar não ajuda.

Realidade: Um estudo com sobreviventes mostrou que um traço que possuem em comum é a oração, mesmo que não acreditem em deus. A oração ajuda a organizar os pensamentos e manter a mente focada.



21 junho 2009

Gêneros Cinematográficos - O cinema erótico

Lembrando que esse post é para maiores de 18 anos por conter indicações de material adulto! Para os menores de 18 anos clique aqui!

O INICÍO

Desde que a película do trem indo em direção a platéia feita pelos irmãos Lumiére e causando um grande alvoroço na época como a primeira exibição de cinema da história, a nudez e o erótico permeiam a sétima arte. Afinal algum tempo depois desse filme as primeiras cenas de nudez já começaram a se espalhar nos cinemas. É um fetiche e uma curiosidade natural, pois antes do cinema não tinhamos a oportunidade de se deleitar com a intimidade alheia (antes disso apenas por fotos).

Assim como o erótico a pornografia surge também desses impulsos, mas deixo esse gênero para uma análise posterior, mas adianto que existem diferenças entre o cinema erótico e o pornográfico. A mais clara diferença é que um apenas insinua o sexo enquanto que o outro mostra explicitamente as cenas. Outra diferença é com relação ao enredo. O cinema erótico constrói tramas bem mais fundamentadas que o seu gênero primo.

Confesso que sou admirador do cinema erótico, porém muitos o consideram como apenas uma desculpa para exibir corpos nus e cena de sexo. Talvez isso se deva ao atual panorama do cinema sensual que está passando por uma crise de criatividade. Essa situação é no mínimo intrigante, visto que a sexualidade, como o eixo central da personalidade, constitui um campo vasto e riquíssimo para a exploração artística.

Talvez esteja aí a raiz do problema: tanto as produtoras quanto boa parte do público não consideram o cinema erótico como forma legítima de arte, mas apenas como um mero auxílio na satisfação de certas necessidades fisiológicas(...). Daí a falta de inventividade, os ângulos ginecológicos e posições que obedecem uma seqüência rígida e inalterável. Vocês podem até duvidar, mas cinema erótico pode ser muito mais do que o é hoje em dia.

Voltando um pouco na sexualidade e sensualidade na personalidade do ser humano, penso eu que todos têm seus atributos de sedução. Seja um olhar, um sorriso, belas pernas ou então seu humor, carisma, todos tem um ou mais atributos que seduzem as pessoas de uma forma ou de outra, porém a principal característica de uma pessoa sexy(na minha opinião) é a auto-confiança. O cinema sensual serve até para isso, para as pessoas descobrirem suas armas de sedução e a usarem de alguma forma.



A eterna sex symbol do cinema: Marilyn Monroe, usava todo o seu poder de sedução..


OS PRIMEIROS FILMES, THEDA BARE E RUSSE MEYER

Por volta da década de 10 as primeiras vezes em que o tema sexo foi abordado nos cinemas, tinha um caráter documental sobre a escravidão sexual branca das ruas de Nova Iorque. Um exemplo foi o curta "Traffic in souls", de 1913, que custou 5.700 dólares e rendeu 450.000.


Cartaz do curta "Traffic in souls" de 1913


Em 1915 Theda Bara encarna uma vampira. Dotada de uma sensualidade incomum, a vampira era sempre de pele muito clara ( graças ao mito dos vampiros não poderem tomar Sol ), olhos e cabelos muito negros, para criar um contraste mórbido e sombrio. Muita sensualidade em tela e uma ousadia comedida fizeram de Theda o primeiro arquétipo sexual do Cinema.



Theda Bara o primeiro arquétipo sexual do Cinema


Não se pode falar em cinema erótico sem citar Russ Meyer. Em 1959, o seu filme The Immoral Mr. Teas se tornou o primeiro filme da indústria erótica a ser exibido em cinemas (antes disso os filmes eróticos eram exibidos em bordéis como forma de estimular os clientes). Ele quebrou muitos tabus em relação a nudez e sexualidade no cinema.



The Immoral Mr. Teas de Russ Meyer


MARILYN MONROE, JAMES BOND E A DÉCADA DE 60/70

O ápice da sensualidade na década seguinte viria com Marilyn Monroe que foi uma dos maiores sex simbols do cinema. Com Marylin viria o legado que as fartas loiras deixaram, que foi uma época na qual os filmes trataram o sexo como algo sadio e necessário. A liberdade era uma obrigação e o prazer que o sexo proporcionava não devia ser proibido por valores da sociedade, na década de 70 também cito o filme Caligula o estrondoso e polemico sucesso e o Ultimo tango em Paris de Bernado Betolucci.



Marilyn em sua clássica cena da saia levantada do "O Pecado Mora ao Lado", de 1955


Para não parecer um artigo totalmente machista também devo falar na sensualidade masculina no cinema. Por falta de referências (por favor as mulheres me ajudem nos comentários) o personagem que me vem na cabeça que é dono de uma grande sensualidade é o agente secreto britânico James Bond. Sean Connery fez a cabeça de muitas meninas na época, assim como os outros atores que o interpretaram fizeram nas décadas seguintes.



Uma gravura do eterno James Bond, Sean Connery com as Bond Girls


DÉCADA DE 80 E DIAS ATUAIS


Na década de 80 acho que o cinema erótico teve uma sobrevida com os filmes de Adrian Lyne. Particularmente considero o 9 ½ semanas de amor (1986) como um dos melhores filme eróticos que já fizeram, aliás é o filme muito utilizado em terapias de casais para esquentar a relação. É uma trama bem simples, porém o filme é bem produzido e há cenas memoráveis no filme como o strip tease de Kim Bassinger e a famosa cena da geladeira entre ela e Mickey Rourke. Adrian Lyne também fez Atração Fatal, o remake de Lolita, Proposta Indecente, infidelidade entre outros filmes eróticos.



9 1/2 semanas de amor (1986), a famosa cena da geladeira


Kim Basinger em 9 1/2 semanas de amor

Existem muitos filmes eróticos produzidos No final da década de 80 e na década de 90 vou citar alguns que eu recomendo: Ata-me de Pedro Almodóvar, Instintos selvagens, Garotas Selvagens, Showgirls, Segundas intenções, De olhos bem fechados, etc. Nos anos 2000 podemos citar Pecado Original com Angelina Jolie e Antonio Bandeiras, O Crime do Padre Amaro, 9 canções, etc. Cito também Irreversivel de Gaspar Noé, um filme que chocou cannes na sua primeira exibição, todo esse alvoroço por causa da cena de estupro protagonizada por Monica Bellucci. Podem acreditar é uma cena bastante delicada e foi feita em apenas um take. Sem cortes, extremamente real e muito forte. Não recomendo esse filme para todo mundo, ele é chocante mesmo. Além disso é muito ousado na sua estrutura, pois o roteiro do filme é construido de trás pra frente, ou seja, você começa a assistir ao filme do final e vai regressando no tempo (você reconhece quando ocorre a passagem no tempo através de um efeito na camera) e vai sabendo o que aconteceu antes dos fatos. É uma maneira interessante de assistir a um filme. Gaspar Noé também fez outros filmes eróticos como Destricted que é uma série de curtas eróticos.



Angelina Jolie e Antonio Bandeiras no mediano Pecado Original



Monica Bellucci no chocante Irreversivel(2003) de Gaspar Noé


CONSIDERAÇÕES


O gênero erótico é vasto e rico, precisaria de mais linhas de texto para narrar toda a história dos filmes eróticos. Citei apenas o que achei mais relevante ( e também o que fui lembrando enquanto escrevia o texto) do cinema erótico. Se alguém lembrar de mais filmes eróticos por favor postem nos comentários.

O panorama rápido que este post fez sobre o assunto sexo no Cinema e as musas que ele trazia, deixa claro a importância que o Cinema adquirira e a necessidade que os filmes tinham em tratar sobre o tema e movimentar o público para uma atitude saudável iconoclasta de pedir a quebra de tabus já ultrapassados. Como o Cinema é uma arte capaz de emocionar o espectador, a excitação que o sexo e as musas trouxeram tiveram um forte impacto e encontrou um público altamente receptivo para este tipo de filme, pois ele se identificava com as propostas que estes filmes debatiam. Enquanto o cinema existir sempre haverá pessoas produzindo filmes eróticos e um publico ainda maior consumindo tais filmes, o meu desejo é apenas que os filmes eróticos se revitalizem com o passar dos anos e que Adrian Lyne, Bernado Bertolucci e novas mentes venham com mais filmes para enriquecer ainda mais o gênero.

19 junho 2009

O homem que calculava

Um ensaio biográfico sobre Renato Russo mostra o planejamento cuidadoso com que ele conduziu sua carreira artística e fala das saborosas excentricidades que fizeram sua fama.

NÃO FOI TEMPO PERDIDO
À direita, Renato Russo numa foto de 1995, um ano antes de morrer: imobilizado na cama por uma doença na perna, ele projetou, ainda adolescente, a banda que anos depois seria o Legião Urbana

Em 1975, Renato Manfredini Jr., então com 15 anos, foi diagnosticado com uma condição que o imobilizaria na cama pelos dois anos seguintes. Sofria de epifisiólise – um desgaste dos ossos e cartilagens que faz a cabeça do fêmur se descolar da bacia. Nesse período de sofrimento e tédio, dedicou-se a criar uma banda de rock imaginária, a 42nd Street Band, na qual assumiria a persona do baixista e vocalista Eric Russell. Encheu cadernos e cadernos – em inglês – com a história da banda. Aos 19, já recuperado, o jovem dava os primeiros passos para realizar os projetos que esmiuçara nos seus rascunhos, como cantor e baixista do grupo punk Aborto Elétrico. Já adotara então o nome artístico com o qual ficaria conhecido: Renato Russo. Em 1985, ao lado do baterista Marcelo Bonfá, do guitarrista Dado Villa-Lobos e do baixista Renato Rocha, ele lançou o primeiro disco do Legião Urbana. Foi como letrista e vocalista dessa banda que Renato Russo se tornou o maior nome da história do rock brasileiro. Os treze discos do grupo e os quatro álbuns-solo do cantor somam 14 milhões de cópias vendidas – 300 000 unidades só no ano passado. Essa história de obstinação é narrada no saboroso Renato Russo: o Filho da Revolução (Agir; 416 páginas; 59,90 reais), do jornalista Carlos Marcelo, 39 anos, editor executivo do jornal Correio Braziliense.

O livro não pretende ser uma biografia completa e abrangente. É antes um ensaio biográfico, centrado na tormentosa relação de Renato Russo com Brasília, cidade com a qual o Legião Urbana sempre seria identificado. O tumultuado show da banda no estádio Mané Garrincha, em 1988 – em que Renato Russo brigou com o público e interrompeu a apresentação com menos de uma hora de performance –, ganha um lugar central na narrativa de Marcelo. As relações amorosas de Renato Russo – com meninas e meninos, como dizia uma de suas letras –, as drogas e a morte em consequência da aids, em 1996, são tratadas de modo mais sucinto. Mesmo com essas lacunas deliberadas, O Filho da Revolução é um retrato mais profundo do músico do que O Trovador Solitário, biografia reverencial do jornalista Arthur Dapieve. Também é mais rico em documentos inéditos – fotos e fac-símiles de letras e notas do compositor, que farão a delícia do fã mais fetichista.

O novo livro mapeia as relações familiares dos roqueiros de Brasília com o governo, ao tempo da ditadura militar. O jovem Renato Russo – filho de um funcionário graduado do Banco do Brasil – quis muito conhecer o garoto que tinha uma guitarra Gibson, item raríssimo na década de 70, quando as barreiras alfandegárias eram rigorosas. O proprietário da guitarra tinha um canal seguro para importar instrumentos: seu pai, que viajava ao exterior como piloto do presidente Ernesto Geisel. O nome do garoto: Herbert Vianna, futuro líder dos Paralamas do Sucesso. No círculo dos jovens roqueiros, apareciam também futuros políticos. Renato Russo foi colega de aula do atual ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Gordinho, Vieira Lima foi maldosamente apelidado de "Suíno" pela turma do músico, que não tinha simpatia por ele. "Geddel é in-su-por-tá-vel", o roqueiro dizia aos amigos. O próprio Renato Russo sabia ser bem insuportável. Era o chato do gênero "cabeça". Metido a cinéfilo, certa vez se irritou com o enredo convencional de Brubaker, filme estrelado por Robert Redford – e se levantou no meio do cinema para insultar, aos gritos, a plateia "burra" que apreciava aquele lixo de Hollywood.

A excentricidade contribuiu para consolidar a aura de santo pop que cercaria Renato Russo em seus últimos anos. Mas nunca o impediu de conduzir a carreira de modo inteligente e calculado. Sua escolha dos integrantes do Legião Urbana é um bom exemplo. Cada um deles corporificava um "conceito" fundamental para a imagem da banda: Bonfá era o garoto bonito, Villa-Lobos tinha ares de menino-prodígio e Rocha, que era negro (e deixaria o Legião em 1988), conferia diversidade étnica ao conjunto. É claro que todo esse calculismo não teria adiantado nada se Renato Russo não fosse, além de obstinado, talentoso. Era habilidoso nas letras longas e complicadas que mesmo assim se prestavam à memorização fácil dos fãs – como Tempo Perdido e Faroeste Caboclo. De certo modo, o roqueiro de Brasília conseguiu encarnar o espírito de sua época. A juventude que se viu meio perdida entre o fim da ditadura militar e os primeiros anos de redemocratização deu voz à sua revolta sem objeto em canções como Geração Coca-Cola e Que País É Este. Renato Russo e o Legião Urbana acabaram sendo bem maiores do que Eric Russell e a 42nd Street Band.


BURGUESES SEM RELIGIÃO
À cima, a Legião Urbana na década de 80 e os manuscritos de Renato Russo, incluindo a letra de Geração Coca-Cola: canções que incorporaram o espírito de seu tempo

Algumas letras do do cara que eternizou a Legião:


Perfeição

Legião Urbana

Composição: Renato Russo

Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões...

Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...

Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...

Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...

Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais...

Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros...

Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...

Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...

Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...

Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada...

Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção...

Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!...


Fábrica

Legião Urbana

Composição: Renato Russo

Nosso dia vai chegar,
Teremos nossa vez.
Não é pedir demais:
Quero justiça,
Quero trabalhar em paz.
Não é muito o que lhe peço -
Eu quero um trabalho honesto
Em vez de escravidão.

Deve haver algum lugar
Onde o mais forte
Não consegue escravizar
Quem não tem chance.

De onde vem a indiferença
Temperada a ferro e fogo?
Quem guarda os portões da fábrica?

O céu já foi azul, mas agora é cinza
O que era verde aqui já não existe mais.
Quem me dera acreditar
Que não acontece nada de tanto brincar com fogo,
Que venha o fogo então.

Esse ar deixou minha vista cansada,
Nada demais.

Fonte: Revista Veja, 10 de junho de 2009


Divirta-se!

Teste sua habilidade na baliza, veja quanto tempo você passa para estacionar o carro.
Para iniciar o jogo clique em PLAY, controle o carro nas setas. Quando conseguir estacionar, veja o tempo e o número de batidas que você cometeu.